quarta-feira, 25 de março de 2020
terça-feira, 24 de março de 2020
segunda-feira, 23 de março de 2020
…não é absolutamente necessário voar e entrar pelo sol
dentro, basta rastejar até um lugarzinho limpo nesta terra onde de vez em
quando o sol brilha e nós nos podemos aquecer.
Franz Kafka “Carta ao
Pai”
Nessa noite apanhamos uma de caixão á cova. Bebemos como
esponjas. Como tonéis.
«À morte» dizia o Ollie. «Por tornar a vida interessante.»…
«À morte» dizia o Ollie. «Por tornar a vida interessante.»…
«Mesmo assim, é melhor estourar do que apodrecer aos poucos»
«Prefiro morrer numa richa de bar do que numa enfermaria de cancerosos terminais»
«Prefiro morrer numa richa de bar do que numa enfermaria de cancerosos terminais»
- O segredo da vida, por Oliver Reed: Não beber. Não Fumar.
Não comer carne. Morrer na mesma.
Wil
Ferguson “Felicidade”
domingo, 22 de março de 2020
Alvaro de Campos
Poema em Linha Recta
Poema em Linha Recta
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos — mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
s.d.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
1 2 3 experiência
Olá 👋
-
Putan merde, catastrof🖕